Encontro com autor | David Machado
Pt
Parece um abecedário
Desta é que os alunos do Jardim de Infância e dos 1.º e 2.º anos da nossa escola não estavam à espera. Um abecedário só com malandrices e asneiras, aquelas que o Henrique faz em sua casa. E quem é este Henrique? É uma das muitas personagens inventadas pelo David Machado, escritor que a convite da Biblioteca da Associação de Pais nos visitou no passado dia 24.
Na mala trouxe alguns dos livros que publicou nos últimos vinte anos, desde que se estreou literariamente com “A Noite dos Animais Inventados”. Inventar, aliás, é o que ele mais gosta de fazer. Já em pequeno, como nos contou, era assim. Os pais diziam: tens de ir para a cama. E ele lá ía. Depois diziam: tens de apagar a luz. E ele lá apagava. Mas nada disso impedia que começasse a imaginar as aventuras mais fantásticas (como as que escreveu no livro “Esta História” ou no que revelou que iria publicar em breve, esse com um título de respeito: “Uma história séria”) e as personagens mais incríveis.
Os nossos alunos já conheciam o protagonista do livro “Parece um Pássaro”, que leram numa aula. Rapaz como os outros, um dia vê um pássaro pousar na sua cabeça e por lá ficar. Atrasado para a escola, não tem outro remédio: dizer que não se trata de nenhum animal, mas do seu novo chapéu. “Não é nada”, disseram os alunos, também nesta sessão, depois de o terem dito na aula, mas agora ao autor. O David Machado não desfez o enigma. Apenas explicou que foi um livro escrito a pedido da filha, que sonhou com um livro do pai com muitos animais. Mas o que os alunos não estavam à espera era do tal alfabeto bem maluco, aliás, bem nojento, pois esse é o nome do livro: “O Alfabeto Nojento” ou as aventuras de um rapaz que gosta de fazer asneiras. No B houve bolachas (já mastigadas, claro); no F, fraldas (já usadas, claro); no L, lama em cabelos (já lavados, claro); e no Z, zangas com os pais (já esperadas, claro). Foi demasiada malandrice, tanta que, com medo que os alunos vissem neste livro um manual de instruções, o David Machado disse que isto era tudo imaginado. Mas também lembrou que há novas aventuras do Henrique em “Os Números Nojentos”. “Querem ouvir”, perguntou. “Sim”, gritaram todos. (In)felizmente, os alunos tinham de voltar para a aulas...
En
Meeting with the Author | David Machado
This was something the Kindergarten and 1st and 2nd-grade students at our school definitely didn’t expect—an alphabet filled only with mischief and naughtiness, just like the ones Henrique gets up to at home. And who is Henrique? He’s one of the many characters created by David Machado, the writer who, at the invitation of the Parents’ Association Library, visited us on the 24th.
In his suitcase, he brought some of the books he has published over the past twenty years, ever since his literary debut with A Noite dos Animais Inventados (The Night of the Imaginary Animals). Invention, in fact, is what he loves most. Even as a child, as he told us, he was like that. His parents would say, “You have to go to bed.” And he would go. Then they’d say, “You have to turn off the light.” And he would turn it off. But none of that stopped him from imagining the most fantastic adventures (like those in Esta História (This Story) or in the book he revealed he would be publishing soon, with a very serious title: Uma História Séria (A Serious Story)) and the most incredible characters.
Our students were already familiar with the protagonist of Parece um Pássaro (Looks Like a Bird), which they had read in class. A boy like any other, one day he finds a bird perched on his head—and staying there. Running late for school, he has no choice but to say it’s not an animal, just his new hat. “No, it’s not!” the students said during this session, just as they had in class, but now to the author himself. David Machado didn’t solve the mystery. He only explained that the book was written at his daughter’s request—she had dreamed of a book by her father filled with animals.
But what the students really weren’t expecting was that crazy alphabet—actually, a disgusting one, as that’s the book’s title: O Alfabeto Nojento (The Disgusting Alphabet)—the adventures of a boy who loves causing trouble. For B, there were biscuits (already chewed, of course); for F, filthy diapers (already used, of course); for L, mud in hair (already washed, of course); and for Z, arguments with parents (already expected, of course). It was so much mischief that, afraid the students might see the book as a how-to guide, David Machado reassured them that it was all made up.
But he also reminded them that Henrique’s adventures continue in Os Números Nojentos (The Disgusting Numbers). “Do you want to hear more?” he asked. “Yes!” they all shouted.
(Un)fortunately, it was time to go back to class...